Poucas produções televisivas recentes souberam dosar suspense e precisão psicológica com a maestria demonstrada por Ben Stiller na direção do final da primeira temporada de Severance.
Em 'The We We Are', a ativação do protocolo de contingência de horas extras (Overtime Contingency) por Dylan George (Zach Cherry) permite que as identidades internas de Mark (Adam Scott), Helly (Britt Lower) e Irving (John Turturro) despertem simultaneamente nas vidas de seus equivalentes externos. O que se segue é uma corrida contra o tempo em que cada segundo expõe a magnitude da manipulação corporativa da Lumon.
A revelação de que Helly R. é na realidade Helena Eagan, herdeira da dinastia fundadora e garota-propaganda do procedimento cirúrgico, concede ao seu protesto no palco uma potência devastadora. Ao sabotar o discurso diante do próprio pai, ela transforma a própria existência em um manifesto contra a desumanização no trabalho.
Enquanto isso, a descoberta estarrecedora de Mark na casa de sua irmã Devon, ao segurar a foto de sua falecida esposa e reconhecer a conselheira de bem-estar Sra. Casey, culmina no grito que ecoa até hoje na memória dos fãs ('Ela está viva!') antes de ser cortado pelo interruptor de Milchick. Um marco na ficção científica moderna.